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Iniciativa em escola municipal de Ouroeste (SP) usa tecnologia para enfrentar o bullying 

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Liderada por professor de programação, a ação mobilizou alunos, comunidade escolar e poder público para promover conscientização e cidadania digital 

Uma escola municipal de Ouroeste, no extremo oeste paulista, transformou um problema recorrente em um projeto educacional de impacto. Liderada pelo professor de programação Marcos Salveiro, a Escola Municipal Sansara Singh Filho desenvolveu uma iniciativa de combate ao bullying e ao cyberbullying que envolveu estudantes do Ensino Fundamental e Médio, promoveu ações educativas dentro e fora da sala de aula e mobilizou a comunidade escolar. 

A iniciativa surgiu a partir da observação, pelo professor, de casos frequentes de bullying e, com o aumento do acesso digital entre os alunos, também de cyberbullying. “Muitas vezes os estudantes não tinham noção do impacto daquilo que diziam ou faziam. Alguns achavam que estavam apenas ‘brincando’, mas não percebiam os danos emocionais causados ao colega”, explica. 

O projeto ganhou forma a partir de conteúdos da plataforma Start by Alura, solução educacional voltada ao ensino de programação de forma curricular na escola. Um dos módulos aborda diretamente os temas bullying e cyberbullying, o que permitiu ao professor integrar o conteúdo técnico aos valores humanos na construção das atividades. A proposta envolveu alunos e o grêmio estudantil para colocar o tema em pauta.  

“A Start tem como princípio preparar os estudantes para as demandas de uma sociedade cada vez mais tecnológica, levando o desenvolvimento do pensamento computacional, por meio da programação, de forma acessível para escolas públicas e fortalecendo habilidades essenciais como resolução de problemas, empatia, pensamento crítico e criatividade, fundamentais para lidar com o mundo digital”, comenta Thais Pianucci, CEO da Start.  

A primeira ação prática do projeto foi a produção de um podcast educativo. Os próprios alunos criaram roteiros, gravaram episódios e discutiram temas como empatia, segurança online e respeito às diferenças. A atividade ampliou o engajamento dos estudantes e abriu espaço para o diálogo dentro da comunidade escolar. Na sequência, a escola promoveu palestras em parceria com a Prefeitura de Ouroeste, conduzidas por assistentes sociais. Os encontros trouxeram dados, exemplos reais e reforçaram que o ambiente digital também exige ética, responsabilidade e consciência coletiva. 

O projeto foi consolidado com a realização de uma gincana temática, envolvendo alunos dos ensinos Fundamental e Médio. Divididos em equipes, os estudantes participaram de quizzes, criaram materiais de conscientização e realizaram ações solidárias, como a arrecadação de roupas para doação. “Foi lindo ver como eles se mobilizaram! A cada nova atividade, o envolvimento só crescia. Eles tomaram o projeto para si”, lembra Marcos. 

A equipe vencedora foi premiada com uma visita a São José do Rio Preto, com atividades culturais e de lazer, uma experiência inédita para parte dos participantes. 

Pensamento computacional como ferramenta de transformação social 

Mais do que uma ação pontual, o projeto passou a integrar o cotidiano escolar. Além de aprender lógica de programação e resolução de problemas na disciplina do professor, os alunos desenvolveram habilidades como empatia, trabalho em grupo, escuta ativa e protagonismo. 

Para Marcos, o pensamento computacional vai muito além da codificação, ele é uma forma de pensar o mundo. “Com a programação, eles aprendem a resolver problemas de forma estruturada, a pensar em consequências, a criar soluções e isso vale tanto para um jogo quanto para a vida em sociedade”, explica. 

O professor destaca ainda outro aspecto que reforça a relevância da iniciativa: a escola, em muitos casos, é o único lugar onde os alunos têm acesso à tecnologia. “Infelizmente, a desigualdade é enorme. Muitos dos nossos estudantes não têm computador em casa. É aqui que eles podem sonhar com outras possibilidades, se ver como protagonistas do próprio futuro.” 

O sucesso da iniciativa levou o professor a estudar formas de replicar o projeto em outras escolas. “Esse projeto não é uma fórmula fechada, é uma semente. Cada escola pode plantar à sua maneira. Mas o essencial é ouvir os alunos, dar voz a eles e mostrar que tecnologia também pode ensinar valores.” 

Jane Lutti
Jane Lutti

Especialista em Comunicação e Mkt na Start by Alura | Grupo Alun. Comunicadora com hiperfoco em marketing, consumo, branding, narrativa estratégica. Em busca do real impacto de uma comunicação ética e criativa para criar conexões que fazem sentido.

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